resoluções, inseguranças e baratas

0.
Quando certa manhã Andre Cefalia encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso, acordou de sonhos intranquilos.


1.
Eu sou uma pessoa de pouca visão mental. Eu não consigo formar imagens com a mente, consigo ver apenas coisas muito específicas, reais e com conceito pouco abstratos. Aphantasia, dando nome a essa condição. A consequência disso na minha vida é que praticamente não leio livros de fantasia pois me frustra, me perco ao ler longas descrições em outros gêneros de livros e sonho raríssimas vezes.

Mas eu consigo sonhar de vez em quando, sempre de uma maneira um pouco nebulosa, mas direta. Justamente por essa frequência é que dou bastante valor a essas cenas estranhas que vejo e fico pilhado para encontrar os significados possíveis, crendo que meu inconsciente está mandando uma mensagem. Sigmund Freud mas nem tanto, you know.

2.
Sonhar com barata significa que é necessário encarar os problemas que aparecem na sua frente, por mais asquerosos e irritáveis que eles aparentem ser. É um bicho que está ligado à imundice e aos sentimentos desagradáveis que podem surgir na sua vida. Podemos dizer que o sonhador encontra-se fechado emocionalmente e até mesmo com uma postura muito defensiva. Esse instinto defensivo para evitar rejeição e dor pode estar prevalecendo na vida de quem sonha com barata.

3. 


4.
Nunca fui uma pessoa de traçar grandes metas para meu futuro. Nem tanto por medo de me frustrar, mas principalmente pela incapacidade de tomar decisões. 

Pra se ter uma ideia, mesmo depois de ter começado o ensino médio tradicional, eu decidi ignorar isso tudo e fazer um integrado para aprender sobre SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL, DIREITO DO MEIO-AMBIENTE, CLIMATOLOGIA, SANEAMENTO e um monte de outras coisas sobre as quais nunca havia tido interesse - me inscrevi no vestibular sem saber nada exatamente sobre o curso mas saí com um diploma massa e amigos incríveis. A mesma coisa aconteceu quando fui me candidatar às vagas de universidades no sisu: foi sem pesquisa, de uma hora pra outra, que eu me inscrevi numa faculdade no mesmo estado, com um receio de não conseguir passar para a que realmente queria (quando eu passei, não quis me descomprometer com o relativo conforto adquirido e não fui, rs).

Assim, sempre passei imune a esses rituais de ano novo. Eu escolhia a roupa que mais me apetecia na hora, em vez de programar uma cor de camiseta e comprar uma cueca nova. E, só para não dizer que jamais me envolvi com isso, confesso que uma única vez me lembro de ter feito uma simpatia para CONQUISTAR A GAROTA DOS SONHOS (não funcionou porque eu inventei a minha própria simpatia, que envolvia apenas um pedaço de papel escrito o nome dela (Fernanda) dentro da minha carteira. Eu tinha oito ou nove anos).

Esse ano foi diferente, contudo. Depois de uma série de reflexões sobre meu lado ESTUDANTE-PROFISSIONAL, o crish, certos membros de minha família e, principalmente, com minha própria pessoa e atitudes que tomo, eu notei diversas INSATISFAÇÕES. E eu sou um millenial. Eu sou membro da geração mimimi. Eu não quero estar insatisfeito apesar de estar insatisfeito o tempo todo. Eu precisava fazer alguma coisa. 

5. 
Lista de resoluções para 2017
□ Discutir menos quando não vale a pena;
□ Ter menos receio e dizer mais sins;
□ Entender contextos e aceitar melhor os nãos;
□ Deixar menos coisas para última hora;
□ Expressar mais a minha opinião.

6.
Eu tenho percebido que a sensação dos piores pesadelos, uma sensação que você pode sentir dormindo ou acordado, é idêntica à própria forma desses sonhos ruins: a súbita percepção intraonírica de que a própria essência e o próprio centro do pesadelo estiveram o tempo todo com você, mesmo quando acordado: só que você... não percebia; e aí aquele intervalo aterrador entre se dar conta do que você não tinha percebido e virar a cabeça para o que esteve ali o tempo todo, sempre...

7.
Observar meu comportamento, delimitar as coisas que quero mudar em mim e registrar isso foi como fazer um compromisso comigo mesmo. Porém, quando, nos primeiros dias do ano, já me apareceram oportunidades de ser menos preguiçoso, aceitar convites, ser mais aberto com a vida e o que tem se passado perto de mim e, principalmente, relevar e procurar dar menos importância (ou a importância do tamanho exato) a questões que não cabem somente a mim é que percebi que eu precisaria de mais determinação e rigidez do que esperava.

Não está sendo fácil. Desde semana passada tenho estado bastante emotivo, chorando vendo vídeos motivacionais e sobre superação e desejo de mudança e tentando desesperadamente controlar a respiração quando bate a insegurança, quando sinto um medo desproporcional de perder certezas sobre a vida que tenho e quando sonho com baratas enormes flutuando. Ainda estou no processo, ajustando meus óculos metafóricos a um novo ponto de vista, colocando meus pés para fora da zona de conforto aos poucos, aguardando uma amiga voltar para a nossa cidade e comprar uns ingressinhos do show de Maiara e Maraísa pra gente. 

Porém, com um pouco menos de pânico de me expôr, de demonstrar demais e declarar o que estou sentindo. Tipo isso aqui, agora.

8.
Verdade não me traz solidão. O amor vem sempre junto. 

9.
Índice onomástico
Acaju, Móveis Coloniais de. (8)
Kafka, Franz. (0) 
Kruger, Barbara. (3) 
Sonhos, Dicionário dos. (2) 
Wallace, David Foster. (6)

10.

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